quinta-feira, março 03, 2011
Tiquetaque
Marca o relógio o compasso
do já enfermo pulsar
do coração. No regaço
da Solidão, torpe cansaço
faz o batimento fraquejar.
O relógio tiquetaqueia,
um e outro segundo
passam. Uma nó na traqueia,
um coração que em teias se enleia
e sufoca no futuro que vagueia
pelo presente que me foge, vagabundo.
O ritmo pelo relógio marcado
junta-se à ode de carmim tingida
que flui do coração descompassado
(o seu canto agora sussurrado),
que flui do coração e me dá vida.
Apressa-se, a cada segundo, o tempo,
passa por mim numa rajada.
Bate lento, o coração, bate lento,
fraca brisa o seu sopro, outrora vento,
uma morna brisa, mais fria, mais nada
a cada batimento
Lento, demasiado lento.
Uma hora, um dia, uma vida passa
por mim, correndo e eu olhando
para ela, tão bela, tão escassa.
Pára a vida, senta-se e a perna traça,
por mim, sempre por mim esperando.
Explode o relógio em pedaços,
fragmentos de tempo pelos céus chorados
refulgem. Chego-me a ela e em meus braços
a envolvo. No seu regaço, meus fantasmas embalados
adormecem. Choro, lavo minh'alma
com lágrimas etéreas, secas e sofridas.
Enxuga-me as mágoas e, com calma,
passa sua língua em minhas feridas.
A seu peito sua mão levando,
novo relógio me apresenta:
"Tiquetaque", minha pele rasgando
com o arame de tempo em que me acorrenta.
Esvaio-me em sangue, foge a vida,
embate na diletância enquanto corre.
Abre-se em meu peito maior ferida,
pois além de mim, a vida morre.
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