quinta-feira, março 31, 2011

Incenso I








Atearam-se os fogos, a noite caía
Profundo, de estrelas, o céu refulgia.
O crepitar dos incêndios por deleite provocados
Juntavam-se ao sussuro das águas nos seus leitos salgados.
Enevoavam a paisagem fumos de incensos perfumados
Perdiam-se, na noite, pirilampos, pelos vapores enebriados
Tiniam as conchas delicadas, os grãos de areia fervilhando,
Tal como os copos que, em brindes, iam chocando.
Chocavam também os corpos, cada vez mais cambaleando.
Lábios de lábios sorvendo o aroma de arando,
Lábios a pele percorrendo, pelo canto da lua embalados,
Sibilam, ao longe, na areia, os grãos pelo mar afagados
Gemem das árvores os ramos por leve brisa acariciados.
E erguem-se à lua cheia os suspiros abafados,
Pelos vapores e incensos, até ela, carregados.

Imagem: http://www.bbc.co.uk/programmes/p00547l1

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