Passa um, é cedo demais, sinto-me confortável. Espero. Passa outro, ainda tenho que fazer aqui, não vou. Espero. Mais um passa, apinhado, não tenho lugar sentado e devora-me o movimento o cansaço. Outro pára. Levanto-me, é este. Dirijo-me lentamente para as portas abertas. Estou demasiado cansada para correr. Chego perto das portas fechadas. Tarde demais. Olho-as e ele parte. Fico de pé na plataforma ruidosa. Não quero estar de pé. Sento-me. O coração apressado, não posso levantar-me. Nas têmporas, uma dor aguda. Lateja a veia proeminente. Palpitam as pálpebras. Fecho os olhos, baixo a cabeça. Oiço o anúncio de mais uma chegada. Deixo-o passar. Não vale a pena. É melhor ficar por aqui, somente a vê-los passar. Olho o relógio, mais uma partida, perco, como sempre, o comboio para a vida
Imagem retirada de: http://thewantingheart.blogspot.com/
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