quarta-feira, novembro 10, 2010

Limbo

Caminha, pesadamente,

No limbo da consciência,

Um desejo já doente

Por ser desejo somente,

Agrilhoado pela impotência

De fazer dele mais que latente.


Revolve-se e esbraceja,

Qual animal enclausurado.

Perdem-se as forças, já só rasteja,

Na fragosidade que o caleja.

Pobre desejo já só deseja

Poder aos céus ser elevado.


“Oh alma misericordiosa,

Minha mãe e meu tormento,

Escutai meu apelo: Odiosa

É minha Sina, mãe bondosa,

Deixai-me sucumbir ao sofrimento!”


Sussurra o desejo, espirrando

Coágulos de sangue, enquanto chora

E, viscoso, o sangue vai pingando,

Lentamente, da alma fora.


Ergue-se a mão imaterial,

Apenas de alma impregnada,

Desanca, sem dó, o animal

Crava-lhe nos membros um punhal,

Impede-o de continuar sua jornada.


Não pode mais fugir, o inexistente

Desejo que, tão pouco, de vez, morre.

Vive, sem o fazer, sempre doente,

Morre, sem morrer, afogado na corrente

Ininterrupta de vida que em meu corpo corre.

Nenhum comentário: