A cada passo que dou,
Em direcção ao futuro incerto,
Mais um pouco do pouco que sou
Se esvai pelo corte, em meu peito, aberto.
Elevo a mão calejada,
De tantas lágrimas ter de varrer,
À ferida, para os olhos, fechada,
Que me vai deixando verter.
E latejam, pulsam, sangrentos
Meus pés de estilhaços cravejados.
Infectam-lhe as feridas os excrementos
Ao chão, por todo o mundo, lançados.
Cai dos céus um outro caco
De mim, que me degola,
Abre-se em meu crânio, um buraco
Negro, de uma bala de pistola.
Abre-se em minha boca igualmente
O caminho ao homicídio,
E minh'alma empunha, dormente,
O gatilho do suicídio.
Saltam das órbitas os globos
Oculares, bem apressados.
Aproximam-se, famintos, os lobos,
Para devorar os meus pecados.
Paira, sobre meu corpo, minh'alma morrendo.
Ou sobre minh'alma, vazio, meu corpo?
Não sei qual dos dois cá vai perecendo.
Não sei qual deles, de vez, caiu morto.
Nota:Qualquer dia acabo-o, aliás completo-o, o final é este mas falta-lhe algo no meio.
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