Emília era ela,
criadora de histórias.
Todas as fábulas eram dela,
tecedora de memórias.
E assim, com melancolia,
o manto da eternidade tecia.
E cada malha que falhava
e cada erro que cometia,
era a Humanidade que condenava,
mais uma vida que destruía.
Suas mãos, já calejadas
do incessante movimento,
eram precisas, delicadas,
mas as agulhas já cansadas
de tão moroso tormento
por vezes iniciavam, desregradas
séries de linhas desgrenhadas,
com cor de sofrimento.
Oh, pobre fiadeira!
Virtuosa tecelã!
Que sem descanso, derradeira
fadiga, a consome pela manhã.
Oh, viveras tu, donzela
em plenos anos de quebranto,
e tua malha não mais seria bela,
manchada pelas lágrimas de teu pranto.
Oh, viveras tu, virtuosa
em anos de paz e bonança
e refulgiria tua manta, airosa
com tons de alegre esperança!
Mas não, pobre menina!
(Ou mulher, até, talvez)
Embora tua malha seja fina,
rica e bela, não vês
que todas as tragédias por ti tecidas
todas as malhas, de morte embebidas,
tingem de sangue tua mortalha,
que entre uma e outra falha,
perece, definha, horrenda.
Teces a guerra e a contenda,
teces o fim da Humanidade,
pegando em tons d'impiedade.
Mas conhece um fim o teu trabalho,
de cruel assassina.
Cai sobre teus joelhos o sudário,
soa a angelical ode matutina.
Cerram-se teus olhos, finalmente,
Definhas sozinha, sem família.
Tece-se assim o fim da Gente
que perece com a morte de Emília.
Um comentário:
Brutaaaaaaaal!! Olha não consigo fazer um comment como os que tu fazes, isso é uma coisa que só tu sabes fazer, mas posso muito bem dizer que adorei a maneira como escreveste, a forma como rimaste, opá não sei. E o nome Emilía (que por acaso é o nome da minha avó xD). Adorei tudo! A sério.
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