quinta-feira, abril 23, 2009

Ela

(Ela era aquela
que o manto da eternidade tecia
Aquela que, quando todos choravam,
pelo contrário, sorria.

Ela era aquela
que contra o tempo lutava
Aquela que, de alegria
e de esperança, a cada dia,
secas lágrimas, chorava.

Ela era aquela
que com o vento bailava.
Que o Sol mal-dizia,
que a intempérie beijava.

Ela era aquela
que a todos resistia.
Aquela que nunca falava,
nem tão pouco àqueles que amava,
a palavra dirigia.

Ela era aquela
dos derradeiros anos de quebranto
Aquela que tudo inundava
com seu, escasso de lágrimas, pranto.

Ela era aquela
Que tudo e todos espantava
com seu esplendor.
Aquela que, sem coração, amava
muitos, forte e com fulgor.

Mas afinal quem era ela?
Brutal besta ou donzela?
Que, tudo em que tocasse, gelava?
Que, a quem a amasse, odiava?

Quem era ela, afinal?
De todos diferente, embora igual.
Aquela que, muda, não calava
seus gritos de ódio (sofrimento?).
Aquela que, sem uma lágrima, chorava,
alegremente, seu tormento.

O que era ela, afinal?
Humana, planta ou animal?
Porque permanece ela calada
perante o sofrimento? Imaculada,
resistente à tempestade.
Quem és tu jovem viçosa sem idade?

Fruto de capricho?Mera vontade?
Ou da crua e nua necessidade?
Ela é assim e assim é adorada.
Ela é  modificada.

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