quinta-feira, abril 23, 2009

Sonhos

Sonhos, preenchem a nossa vida, quer aquando a entrega aos braços de Morfeu quer quando o nosso espírito, vigilante, embora acordado, se perde nos confins da mente. De facto, já dizia Allan Poe "aqueles que sonham acordados têm consciência de mil coisas que escapam àqueles que apenas sonham a dormir", remetendo-nos para a importância daquilo a que chamamos sonhos, catalizadores do génio criativo, motores da nossa vida, aquilo que nos faz ir em frente, que determina as nossas escolhas, que nos obriga a continuar mesmo quando o caminho é íngreme e tortuoso, a chama trémula e frágil que nos guia, que nos atrai em pleno breu e, ainda, a mão amiga (severa), firme (destrutível), que nos ajuda a levantar quando as pedras da calçada nos fazem tropeçar e cair. Assim, ao invés de permanecermos prostrados no chão lamacento de lágrimas, tingido de sangue, húmido de suor. Ao invés de deixarmos que o vento, cruel, impiedoso, apague num sopro a vela que nos guiava e de, assim, nosso coração, temeroso, magoado, perecer perante tudo aquilo que outrora perseguira, ao invés de sucumbirmos perante as vicissitudes da vida, se nossos sonhos tiverem suficiente força, se o nosso espírito for preseverante quanto baste, levantamo-nos, sacudindo de nossa roupa a poeira, limpando de nossa face as lágrimas, mas as feridas... essas deixamo-as sangrar, até que o tempo as cicatrize, como provas da nossa luta, troféus do nosso esforço. Erguemo-nos e seguimos caminho. Percorremos trilhos desconhecidos, nunca antes traçados, desbravamos a floresta da nossa vida. Muitas vezes a luz que antes perseguíramos acaba por se extinguir, o caminho, que antes achávamos ser o único que nos permitiria alcançar a tão desejada felicidade, desemboca numa bifurcação e as nossas escolhas conduzem-nos para longe dos nossos velhos sonhos. Mas isso não significa que eles não passem de quimeras, utopias, simplesmente nem sempre as circunstâncias levam à sua concretização, isso não significa que sejamos infelizes nem tão pouco que eles, os sonhos, não sejam relevantes. Não, pelo contrário, o que importa é que um dia tenham existido.

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