segunda-feira, outubro 10, 2011
Amanhã
Fura com tua mão meu peito.
Faz-me retomar a respiração
Quando dele arrancares o coração desfeito
E a alma que jaz nas ruínas do seu leito,
Apunhalada pela dor a cada pulsação
Arranca-o com firmeza, apaga
De mim sua tormentosa inexistência.
Não feches a ferida, quero-a em chaga,
Quero a sensação, mesmo que vaga,
De que há dor maior que a da consciência.
Segura os meus pulsos, sem piedade
Crava tuas unhas na farsa que me cobre
E traz a céu aberto as veias e a saudade
que nelas pulsa, até que nada sobre.
Deixa espirrar o sangue, é utopia
(maldito sonho, odiosa sedução)
Que percorre meu corpo e asfixia
A Razão que de si mesma se esvaía,
Ferida pelas garras imundas da emoção.
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