Lânguidas chamas lambiam
A madeira carunchada.
Estrelas do céu cuspiam
Farrapos de luz que se escondiam
Nas sombras de memórias empalhadas.
O céu oleoso esvaía-se de si
Sobre a paisagem bucólica.
Míriades de lampirídeos carmim,
Luminoso menu de seu próprio festim,
Choviam sobre a bebida alcoólica.
A jorros de lá alto chegavam
Vómitos auráticos que brotavam
Do tórax a sangue frio aberto
(com golpes dolorosos e incertos)
Da decrépita lua que cambaleia
De um lado ao outro do horizonte.
Insuflando-se a já gorda lua cheia,
Pesada de mais, tomba e incendeia
-se no fogo das tochas e das candeias.
Rebola, ardendo, pelo monte.
Dos lodosos pântanos, vapores
Exalam em espessa neblina
São incensos perfumados e são licores
A infusão nauseabunda de hemoglobina.
Brotam da terra serafins,
Exaltam-se, na terra, os humores,
Tamborilam suas garras carmins
Em seus palpitantes tumores.
Lambem o fogo as diabólicas
e, porém, viris figuras,
que devoram também as metamórficas
labaredas, libertas da escravatura.
Curvam-se em esguios e delgados
Corpos de ninfas tentadoras.
Espumam, irrequietos, os diabos
Engolem as tensões e, sufocados,
Fazem-se pecadores nas pecadoras.
E sobem aos céus e às alturas
(Não é o prazer que de lá os expulsa)
Incendeia-se das ninfas a loucura
Que, por sangue, nelas pulsa.
Fundem-se terra e céu,
Escorre a paisagem no infinito.
O Inferno, o Paraíso, tudo ardeu,
Beijam-se o sagrado e o maldito
e explode o universo com o seu delito.
Imagem:De Claude Cahun não sei o nome (retirada deste site http://artlicks.tumblr.com/)
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