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Comer, e morrer de fome.
Comer e morrer de fome.
Solitárias orgias
Sem face, sem nome.
Efémeras alegrias.
Comer e morrer de fome.
De exautão, padeço
Mesmo no mais profundo descanso.
De corpo são, adoeço
Por tudo o que, querendo,
Não alcanço
E por tudo o que não digo, dizendo.
Descanço.
Dói-me o que não sinto.
Saudade do que deveras vivi
Consome-me qual verme faminto.
Enquanto, honestamente, minto
Gritando "Não morri!".
E suas presas afiadas,
No seu sorriso triunfante,
Na minha carne, cravadas
Em minha dor dilacerante.
E o verme imaginário
Contorce-se na sua pele brilhante,
Envolvendo-me qual sudário
De ser horrendo, rastejante.
Fim.
A pálida luz da lua
Ilumina um cenário d'outro mundo:
Espalhados pela rua,
Putrefactos pedaços de carne crua
Exalam um odor nauseabundo.
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