sábado, novembro 01, 2008
Condeno
Queria poder contar-te
O que sente meu coração
Queria poder tocar-te
Prender-te a mim, amar-te
Deixar viver minha paixão.
Queria conseguir dizer-te
Aquilo que agora sinto
Minha ânsia de ter-te
Somente dizer-te
Mas não posso, então minto.
Mas meu coração, delator
Impiedoso, cruel, traidor
Não deixa a razão vingar
Recusando, com fervor
Esperança, aflição e temor
Deixar de te amar.
Pobre lutador,
Teima não perceber
Que nunca sentirás amor,
Que nunca te irei ter.
Ou talvez perceba, mas em vão
Tenta lutar contra a razão
Tenta vencer a verdade.
Pobre coração, condenado
Por maldição, nunca será amado.
E é vã a piedade,
A pena, compadecimento, bondade
Quando nem os anjos, demónios impuros
São incapazes de derrubar os muros
Que te separam, embora perto,
Tornando, assim, tão certo
Que meu amor não vingará
Que meu coração não será
Nunca, por ti, amado
Então tudo isto é em vão
Pois está ele condenado A definhar na solidão.
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