Volteando-se no espaço
Atemporal, sem dimensão,
Leitoso, plácido soa o compasso
Incessante da sua rotação.
Translação seria, houvessem medidas
Que dissessem o que as não tem
Ou pudessem as ideias, contidas
Nos limites do sentido, ser sabidas
Neste não-lugar de ninguém.
Não as havendo, não tentemos
Descodificar o que o código excede.
Rompa-se o vício causal, pois não é menos
Verdadeiro o que a causalidade precede.
Não se erradique o pensamento ou a memória.
De um faço o outro e é extática a libertação
Que alcanço ao escrever, sem saudosismo, a história
De um agora que devem sem asfixiante antecipação.
Agora, aqui se concretizam os pedidos
Que não dera, ou recusara dar, por formulados.
Mas que, na sua realização, são tão sentidos
Como se nunca outros mais almejados.
Desenhando-se, assim, o rumo
(Que as metamórficas larvas indicam correcto)
Flutuo, finalmente, em algo que não o fumo
Tóxico de outro flamejante insecto.
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