Com olhos de quem não vê, olhei
O ar rarefeito da vacuidade da consciência.
Na nebulosa enublada de sentido parei
E, sem querer pensar em ti, não pensei
Em nada além dessa saudosa vivência.
Entranho-me na névoa, pois sou eu,
Pedaços de mim que nela revolvem,
Temem o reencontro, repudiam Morfeu,
Pois só em seus braços voltam a ser eu
E, voltando a ser um, tornam-se nada e morrem.
Volto a ti e a mim regresso.
Não. Quero esquecer quem fui.
Apenas pelo que se sou me interesso.
Estanco a ferida pela qual se esvai o eu que em mim flui,
Com os resquícios venenosos do passado obsesso.
Não posso mais olhar-me por dentro,
Não quero mais de mim a doença.
Para mim agora és nada, só assim me concentro
Em eliminar, de mim, do que fui a parecença.
Olhos para fora puxados, abertos ao mundo
Que como eu renasce; arrasto o pensamento
À sua tona, enegrece-nos tê-lo profundo,
E agrilhoo-o à inconsciência de um ser narcotizado.
Desancoro a vida do tempo e, do eterno segundo
Que dela me sobra, dispenso do tiquetaquear o reinado,
Pois, fora do tempo, compassa o latejar de um peito cauterizado.
Nenhum comentário:
Postar um comentário